Em política, o que é hoje, amanhã já não é. Plebiscito? Menos, Lula, menos.
Com a palavra, Sua Excelência:
sábado, 30 de janeiro de 2010
A Solidão e sua Porta - Carlos Pena Filho
Quando mais nada resistir que valha
A pena de viver e a dor de amar
E quando nada mais interessar
(Nem o torpor do sono que se espalha)
Quando pelo desuso da navalha
A barba livremente caminhar
E até Deus em silêncio se afastar
Deixando-te sozinho na batalha
A arquitetar na sombra a despedida
Deste mundo que te foi contraditório
Lembra-te que afinal te resta a vida
Com tudo que é insolvente e provisório
E de que ainda tens uma saída
Entrar no acaso e amar o transitório
Carlos Pena Filho nasceu e morreu no Recife. Há um busto em frente à Faculdade de Direito do Recife em sua homenagem: foi lá que se formou. Foi jornalista, poeta e compositor. A porta da solidão é um mesmo convite muito tentador.
sábado, 23 de janeiro de 2010
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
sábado, 16 de janeiro de 2010
Processo nº tal
Caso simples: crime passional.
- Então o senhor sustenta se tratar de crime passional?
- Sim, Meritíssimo, crime passional.
- Promotoria dispõe da palavra.
- Meritíssimo, amor...morte...contradição em termos. O argumento de crime passional não me convence nem comove – senão causa náusea. Que diz a defesa? Que a amava o homem que a matou a facadas? Pois que os homens se odeiem!
- Ora, temos aqui um trovador...
- Prefiro-o à frieza dos escritórios – talvez aquela mesma que impediu o agente de sentir o calor do sangue da vítima, que com ela se espalhava pelo chão.
- Mas isto é agressão, Meritíssimo!
- Peço-lhe se contenha, senhor Promotor.
- Peço-lhe calor – o da vítima que, sim, amava, pois ao agente confiou até mesmo a vida. Excelência, o verdadeiro passional não mata, acolhe. O amor não separa, tampouco faz que se entrelacem um ao outro como se mãos fossem, vez que esta união facilmente se desfaz. Antes, pelo contrário, é como cimento, areia e água fazem concreto. Pois o amor é a água! Quando areia e cimento se juntam e se lhes adiciona água, edifica-se, ergue-se do improvável um paraíso; do impossível, uma ponte. A ponte se quebra se não há água, aquela que faz deles um só, ou se o “ponto da massa” não foi o desejável, aquele no qual não há nem mais nem menos: só o suficiente – mas necessário – de todos os elementos.
- Baaaaahhhhhhh.... trovas, trovas, trovas...isto é um Tribunal, não um palco!
- Talvez não tenha consultado seus manuais, pelo que me desculpo. Mas bem: diz o Código Penal que para fins de responsabilidade a Lei considera o momento do crime, e no momento do crime o que há é ódio, não há amor. Porque protege e visa perfeição, quem em verdade ama não perfura fria e indiferentemente pessoa como se trapos de panos fossem. Não, os jorros de sangue não o fizeram parar: foi até o último suspiro, quis amá-la do seu jeito até o fim. Quem é capaz de tanto não pode amar. O amor está nos lares, celeiros, maternidades; não em necrotérios, manicômios, cemitérios. O amor não tira: põe gente no mundo.
Excelência, o amor está nos berços, não está nos túmulos.
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